segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O Município da Horta e a Democracia Participativa

"(...)Mas este é, infelizmente, apenas mais um exemplo da falta de cultura e de dimensão democrática desta maioria socialista. Atrevo-me mesmo a ir mais longe: mais do que desta maioria autárquica, esta atitude parece ser comum a uma nova geração socialista, que apenas conhece o lado do poder, que não sabe valorizar nem apreciar a participação das pessoas e que tudo faz para dominar e asfixiar a vida comunitária.

Sei que já fiz esta crítica em relação a maiorias anteriores. Mas agora o caso é diferente e mais grave. Porque os novos protagonistas disfarçam, com um cinismo político inigualável, sob a capa de democratas exemplares, os mais velhos e odiosos tiques de intolerância e desrespeito pelas mais essenciais regras da convivência democrática. O que verdadeiramente interessa-lhes é a imagem que de si querem dar, e ela, para eles, vale tudo. Mas, por trás dessa imagem falsa e construída sem correspondente conteúdo, o que eles praticam quotidianamente é uma intolerável democracia de fachada.

Esta maioria, presa por esses tiques geracionais, tudo faz para não envolver na vida municipal os vereadores da oposição, legítima e democraticamente eleitos. Veja-se, desde logo, o esvaziamento constante das reuniões de Câmara. Tudo o que é efetivamente importante não é tratado naquele órgão, nem muito menos decidido. Muitos dos assuntos e das decisões municipais, os vereadores da oposição sabem-no pela comunicação social.

A maioria das vezes as reuniões de Câmara esgotam-se na aprovação ou ratificação de isenções de taxas para festas. A título de exemplo: as duas últimas reuniões tiveram 44 pontos nas suas ordens de trabalho e deles 32 (73%) foram isenções de taxas para festas!!!(...)"
Luís Garcia, in Incentivo, 18.06.2014.
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