
O deputado Luís Garcia manifestou elevada preocupação com “a
crise profunda que o sector das pescas está a viver nos Açores devido a
diversos problemas conjunturais, mas, sobretudo, problemas estruturais há muito
diagnosticados”.
Numa intervenção no plenário do parlamento regional, durante
a discussão do Plano e Orçamento para o próximo ano, aquele deputado recordou que “os rendimentos dos profissionais da Pesca diminuem de
ano para ano faltando as condições básicas para o seu funcionamento. E como há
dias denunciou um agente deste sector, trata-se de uma área em que há fome e
miséria”.
Luís Garcia lamentou ainda que os profissionais da Pesca
sejam obrigados “a andar sempre de mão estendida ao governo regional quando é
necessário activar o Fundopesca. Estes são os resultados. Os resultados das
políticas erradas”, disse.
O deputado do PSD/Açores criticou, por isso, “o governo
regional que só gosta de ser responsável pelos anúncios e pelo corte das fitas
das inaugurações” recordando que “a falta de rendimento, a pobreza e a miséria
que existe nas Pescas são também da exclusiva responsabilidade do poder
socialista”.
“Estamos perante um plano que promete, mais uma vez, a diversificação da actividade e novas fontes de rendimento, a valorização do pescado e a promoção de aquacultura, para a qual anunciam, há anos, estudos e mais estudos. Estamos perante um plano que não assume a formação como uma prioridade essencial para a qualificação e dignificação destes profissionais”, acrescentou.
Este 19º plano desta governação repete a mesma receita, as mesmas medidas e as mesmas políticas. É mais do mesmo, com uma única novidade nas pescas: a diminuição do investimento público.
Luís Garcia sustentou ainda que “a prova de que este plano não tem uma estratégia para a economia do mar está, desde logo nas audições do mesmo nesta Assembleia, quando em nenhum momento o governo foi ouvido sobre a sua política para a economia do mar”.
O deputado do PSD/Açores estranhou, ainda, que “o governo regional tenha reivindicado no âmbito da Estratégia Nacional para o Mar (ENM) a inclusão de um plano de acção que integrasse a sua visão e a sua estratégia para o mar e que, até esta data, e passado quase um ano, não seja publicamente conhecido nem conste no sítio da Internet, onde foi estabelecido que devia ser disponibilizada a versão integral dessa Estratégia”.
Ou seja, acrescentou, “esta situação não deixa de ser estranha e mesmo contraditória com o discurso do governo regional que todos os dias proclama a aposta no mar e afirma ter uma estratégia para essa área, o que comprova que o Governo é muito rápido a fazer anúncios e muito lento a fazer o trabalho que lhe compete”.
“O novo quadro de financiamento europeu pode constituir uma nova oportunidade para estas áreas da governação, mas exige uma reorientação das políticas e da aplicação dos meios financeiros. Só assim poderemos almejar resultados diferentes”, concluiu.