terça-feira, 16 de setembro de 2014

O espelho do BES

"(...) Quando olho para o que se tem passado em Portugal (com os vários casos na Banca - o BES é apenas o último que veio a conhecimento público!), mas também nos restantes países do mundo ocidental, não deixo de verificar que há, na raiz de muito do que nos tem acontecido, uma consequência direta ou indireta desta mentalidade que se impôs na nossa sociedade, em que o sucesso tudo explica. O critério de vida é vencer, a qualquer preço, sem olhar a meios. Os fins tudo justificam, incluindo a mentira, as ilegalidades, a deslealdade, os truques enganosos, a corrupção. E a consciência só pesa se não se vencer nem se tiver sucesso. Porque estes, quando acontecem, tudo apagam, tudo justificam, tudo legitimam. 

Vivemos na sociedade que criámos. Que escutou os seus deuses e que escolheu os seus padrões de vida.

E, por isso, esta é também a sociedade que escolheu não escutar outras vozes, discordantes, que denunciaram os perigos das escolhas que se estavam a fazer, que foram alertando para os perigos e que foram propondo caminhos diferentes.

Uma dessas vozes não escutada foi a do Papa Emérito Bento XVI.(...)"
Jorge Costa Pereira, in Tribuna das Ilhas, 14.08.2014
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