«6. Na passada semana a Atlanticoline apresentou, aqui na Horta, as principais conclusões de um estudo sobre o transporte marítimo de passageiros nos Açores, que havia encomendado à empresa "BMT - Transport Solutions" em 2009. Da sessão a que tivemos a oportunidade de assistir, retirámos as seguintes conclusões: a) o estudo recomenda que a Região proceda à aquisição de navios de alta velocidade para o transporte marítimo de passageiros inter-ilhas, por ser uma opção economicamente mais vantajosa do que recorrer ao afretamento; b) a Atlanticoline já optou em mandar construir os navios que vão fazer a ligação entre o Faial e Pico, escolhendo para esse fim, não a primeira, mas a segunda opção do estudo; c) o estudo recomenda a criação de "uma ou mais plataformas logísticas" para se reduzirem os custos operacionais, passando-se dos actuais navios que garantem o transporte marítimo de mercadorias entre o Continente e os Açores para apenas uma embarcação de 1.700 contentores que se articulará com três navios mais pequenos; d) os autores do estudo reconheceram, naquela sessão, expressamente, que se esta opção das plataformas logísticas vier a ser implementada, isso vai naturalmente prejudicar várias ilhas em relação aquilo que hoje têm no transporte marítimo de mercadorias; e) este estudo foi concluído em Abril/Maio de 2010. Logo, não há dúvida que ele foi permeável a toda a polémica que rodeou a aprovação do Plano Regional de Ordenamento do Território (PROTA), que aconteceu a 15 de Junho de 2010. Só isso pode justificar que, num estudo que se destinava a analisar o transporte marítimo de passageiros entre as ilhas dos Açores, se tenha acabado por incluir, sem nenhuma explicação lógica, um capítulo sobre os transportes marítimos de mercadorias entre os Açores e o Continente, no qual, sintomaticamente, se defende a criação de plataformas logísticas!
As explicações que foram dadas pelo representante da Atlanticoline e a falta confrangedora de argumentos por parte da BMT na defesa da opção das plataformas logísticas, são a prova de que a inclusão deste capítulo naquele estudo não foi acidental, nem ocasional, nem muito menos inocente!»
Jorge Costa Pereira, in Tribuna das Ilhas, 26.11.2010
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