Os resultados verificados nos Açores representam uma clara derrota pessoal e política de Carlos César, que se empenhou de forma notória no apoio a Manuel Alegre. E não é o apoio em si que está em causa, que é obviamente um direito que assiste a Carlos César enquanto cidadão. O que está em causa é que ele envolveu os Açores na sua luta pessoal e partidária contra Cavaco, usando a Região numa estratégia que só enfraqueceu e fragilizou a imagem dos Açores no conjunto do País. (...)
Ficam também no rol dos derrotados aqueles cidadãos, inclusive desta ilha, que manifestaram publicamente o seu apoio a Manuel Alegre e que não hesitaram em usar de forma censurável, como apêndice ao seu nome, as instituições públicas, privadas ou de solidariedade social onde exercem cargos. Na luta eleitoral e partidária não vale tudo. E por uma questão ética, de rigor e de imparcialidade, não é aceitável tal comportamento. Usar em lutas eleitorais e partidárias os cargos que se ocupam na Igreja, na Universidade ou nas associações humanitárias, cooperativas ou outras, não é um bom serviço que se presta a tais instituições, qualquer que seja o partido que a isso recorra! (...)
O fenómeno da abstenção nestas eleições voltou a atingir números preocupantes. A nível nacional, ela atingiu 53,3%, enquanto nos Açores se cifrou na arrepiante percentagem de 68,75%. Isto é, em cada dez eleitores açorianos, sete não foram votar, o que nos fez líderes nacionais da abstenção! (...)
Ora, estando nós numa fase do relacionamento do cidadão com a Administração em que a Internet é cada vez mais usada e em que é mesmo um recurso para, por exemplo, realizar pagamentos, movimentar contas bancárias, não é compreensível, neste contexto, que não se encontrem formas mais expeditas, actuais e naturalmente seguras que facilitem e estimulem a participação cívica que se corporiza no acto de votar. (...)
Enquanto nos partidos não se derem efectivos passos no sentido de contribuírem para alterar esta nem sempre totalmente justa imagem, só se estará a dar razão aos muitos concidadãos que, desapontados com a Política e com os políticos, se refugiam numa tanto inaceitável como compreensível abstenção. E é a democracia que fica a perder!»
Ler artigo completo aqui