segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Não será a altura de rever tudo isto?

"(...)Apesar da mudança radical que se operou nas nossas vidas, fruto da falência que quase nos bateu à porta, a verdade é que persistem muitas, diria, demasiadas situações em que parece que para elas os tempos continuam sendo os da abundância irresponsável e do dinheiro a rodos. Os recursos públicos sempre deviam ter sido usados não só com parcimónia, mas sobretudo com a preocupação de serem canalizados para aquilo que é verdadeiramente estruturante e impulsionador do desenvolvimento sustentado.

Por isso, se muitos destes apoios já deveriam ter sido objeto de avaliação e ponderação, agora, neste período de crise em que vivemos e em que os recursos públicos são cada vez menores, é uma exigência de justiça e de moral que eles sejam revistos caso a caso. 

Já aqui defendi a emergência de se avaliar os resultados da política de subsidiação e financiamento que tem existido no desporto dos Açores. E agora ainda mais se impõe e se exige que se faça essa avaliação, de forma justa, equidistante e desapaixonada. E não se trata só de avaliar o financiamento de provas como, por exemplo, o SATA Rallye Açores. Temos de ter a coragem de ir mais longe e mais fundo. E avaliar, por exemplo, que impacto teve a política de subsidiação no desenvolvimento desportivo dos nossos jovens? Que percentagem de atletas açorianos, formados nos Açores e nas equipas açorianas, é titular e joga habitualmente na equipa principal? A realidade desportiva dos Açores é a das equipas que participam nos nacionais ou é outra diversa? Justifica-se este altíssimo nível de subsidiação para manter um equívoco profissionalismo desportivo, que possui pés de barro e que é absolutamente insustentável sem os apoios oficiais? E que profissionalismo queremos ou podemos ter nos Açores? Não seria mais eficaz canalizar os apoios oficiais maioritariamente para a formação das nossas crianças e jovens?(...)
Jorge Costa Pereira, in Tribuna das Ilhas, 23.05.2014.
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