" (...) Na Comissão de Inquérito aos transportes marítimos e infraestruturas portuárias não faltam situações do mesmo género. Tomemos apenas um exemplo: foi facto apurado que no espaço de 5 meses, em 2014, ocorreram 3 incidentes com os cabeços de amarração nos portos da Horta e da Madalena e um acidente mortal no porto de S. Roque do Pico. Perante a gravidade destes factos, o PS impôs a seguinte conclusão: “…não é possível objetivamente assacar responsabilidades políticas ao Governo Regional...” (pág. 225 do Relatório). E não há responsável pelo ocorrido porque, como declarou o Secretário do Turismo e Transportes, “até à data do acidente de S. Roque do Pico eu desconhecia que tinha acontecido o incidente na Horta…”. (pág. 262)
A “teoria” é simples: Z deve informar A, que deve informar B, que deve informar C, que informa o Secretário. Como este não foi informado, não tem responsabilidade. E como ninguém informou ninguém, ninguém é culpado. Nada melhor do que esta “doutrina” para todos fugirem às suas responsabilidades!
Os cabeços de amarração rebentaram três vezes em dois locais diferentes, antes do acidente mortal. Visivelmente. Mas ninguém informou ninguém.
O José Norberto faleceu em S. Roque.
Mas como ninguém havia informado ninguém, ninguém é responsável pelo acidente mortal. E todos continuam, reconduzidos, em exercício das suas funções…
Assim se construiu esta vergonhosa impunidade, que devia fazer corar de vergonha qualquer pessoa com o mínimo de moral e ética (nem o exemplo de Jorge Coelho, no caso da ponte de Entre-os-Rios, foi ensinamento e exemplo para quem aqui está sentado à mesa do banquete do poder…).
Só a cegueira e a arrogância de quem há 20 anos exerce nos Açores o poder de forma absoluta pode legitimar atitudes destas!
Comissões de Inquérito no Parlamento? Para quê?"
Jorge Costa Pereira, in Tribuna das Ilhas.
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