quarta-feira, 23 de março de 2016

A SATA, A AUTONOMIA E O FUTURO

"(...) Mas as justificações de Vasco Cordeiro são ainda profundamente preocupantes porque são bem reveladoras sobre o entendimento que existe hoje no poder político instituído sobre o que é essa realidade social e política que se chama Açores. 

Com efeito, Vasco Cordeiro (e a grande maioria dos políticos atuais) teima em usar o coletivo “Açores” para servir de chapéu protetor a decisões que nada tem a ver com a realidade das nossas nove ilhas. Aliás, cada vez mais, e com tristeza, vemos esse coletivo que nos devia unir na diversidade, ser capturado por interesses particulares e por uma visão distorcida do que é a nossa realidade múltipla.

Com efeito, quando Vasco Cordeiro afirma que usou a SATA para salvar o Turismo nos Açores e que foi por causa da SATA que há hotéis, restaurantes e empresas de rent-a-car abertos e que foram salvos muitos postos de trabalho, naturalmente e com propriedade, ele não se refere aos Açores – refere-se quase exclusivamente a uma ilha e, se quisermos ser simpáticos, pontualmente, a duas ilhas das nove que compõem a nossa Região.

E a questão é mesmo essa: justifica-se, tem sentido, é aceitável, hipotecar-se uma empresa estratégica e essencial para a nossa Região, como a SATA, que é o garante das nossas ligações internas e externas, a troco da sobrevivência pontual de hotéis, restaurantes e rent-a-cars de quase só uma ilha dos Açores? 

É que nem sequer preocupação houve do Governo em possibilitar que esse eventual fluxo que viria dessas novas rotas fosse distribuído pelas demais ilhas dos Açores. 

Mais: não é a primeira vez que dinheiros públicos avantajadíssimos são usados em transportar turistas para encher hotéis numa ilha dos Açores, esquecendo-se sempre a possibilidade da sua redistribuição interna – quem não se recorda, no passado recente, das operações “charter” com os países nórdicos?(...)"
Jorge Costa Pereira, in Tribuna das Ilhas
Ler artigo completo aqui

Sem comentários: