quarta-feira, 23 de março de 2016

Anúncios não apagam responsabilidades

O Governo Regional e o Grupo Parlamentar do PS decidiram acertar agendas e dedicar um dia ao momento difícil que vive o setor das pescas na Região. Tocaram as campainhas eleitorais!

O Presidente do Governo anunciou a criação de um grupo de trabalho para definir as condições para a realização de um resgate no setor e o Presidente do Grupo Parlamentar anunciou a humildade e disponibilidade do PS para ouvir “atentamente todos os alertas”.

Reconheçamos que é muito pouco para quem fez tanto mal ao setor das pescas nos Açores.

A constatação em ano eleitoral de que o setor precisa de ser reestruturado e de que é preciso ouvir os seus problemas e alertas é, antes de mais, o reconhecimento de que as políticas desta governação de quase 20 anos para as pescas falharam redondamente.

Estes anúncios não podem, por isso, servir para branquear a responsabilidade do PS e de Vasco Cordeiro nesta matéria.

Este caminho de destruição das nossas pescas já podia ter sido invertido se o PS e os sucessivos governos da sua responsabilidade tivessem ouvido atempadamente os alertas que há muito fazem agentes do setor e a Universidade dos Açores.

Pelo contrário, esta governação durante muitos anos insistiu e persistiu numa política errada que levou ao sobredimensionamento da frota e a um aumento do esforço de pesca. Este erro político de construção de uma armada política conduziu o setor à situação dramática que hoje vive sem rendimentos dignos e com problemas de sustentabilidade de alguns recursos.

Uma verdadeira política regional de pescas centrada na sustentabilidade dos recursos e no rendimento dos seus profissionais, como há muito reclamam agentes do setor, a Universidade e o PSD, não se constitui de forma simplista e isolada com um resgate. Este pode ser uma peça de um complexo puzzle que urge compor para salvar um setor vital para a nossa economia.

Como há anos também afirmamos, a restruturação do setor passa por diversificar as fontes de rendimentos. Para a prossecução desse objetivo deve-se ter em conta os novos e emergentes domínios da economia do mar, procurando, sempre que possível, envolver e enquadrar os profissionais da pesca. O seu conhecimento e experiência constituem seguramente uma mais-valia para muitos desses novos setores.

Esta anunciada disponibilidade do PS vai ser brevemente avaliada no Parlamento dos Açores quando for discutida e votada a proposta de todos os partidos de oposição para que sejam definidos e implementados planos de salvaguarda para as principais espécies demersais dos Açores.

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