"(...) Deste muito interessante Colóquio (onde talvez só terá faltado abordar com outra profundidade a questão financeira e das contas…) retenho três conclusões pessoais e que aqui partilho.
A primeira tem a ver com a decisiva importância do Hospital da Horta para a nossa ilha: para além do papel que lhe é próprio, ele é um dos maiores empregadores do Faial e destas ilhas e um dos maiores polos de concentração de quadros altamente qualificados e especializados, constituindo-se, assim, numa significativa mais-valia para a nossa sociedade, que urge defender e reforçar, sem desfalecimentos nem transigências.
A segunda refere-se à cada vez maior urgência de medidas proactivas e que englobem não só o Governo mas as instituições do Faial, no sentido de se criarem medidas destinadas a fixar jovens médicos. De acordo com os números apresentados, quase 60% dos médicos especialistas do nosso Hospital tem mais de 55 anos; e cerca de 70% tem mais de 50 anos! Estes números exigem medidas excecionais. Se não se conseguirem jovens médicos especialistas para se fixarem no nosso Hospital, é o futuro desta Instituição que estamos a hipotecar e a comprometer. E não falta quem queira abocanhar o potencial que representam os utentes do Hospital da Horta! Nada fazer ou refugiar-se nuns incentivos insignificantes para tranquilizar a consciência, é um crime geracional porque põe em causa o futuro dos nossos filhos.
Finalmente, uma terceira conclusão impõe-se-me pelo relato que ouvi de Fernando Faria. Lembrou ele que, já depois da implantação da Autonomia nos Açores e governando na Região o PSD, a questão da luta pela construção do novo Hospital da Horta, contra vários dos Açores que não viam esse investimento com bons olhos, uniu de forma inequívoca todas as forças vivas do Faial. Lembrou uma reunião extraordinária da Câmara Municipal da Horta, convocada para 10 de março de 1980, com o fim de tomar posição pública sobre esse assunto. Nessa reunião camarária, presidida pelo social-democrata Augusto Goulart Sequeira, participaram ainda os deputados do Faial do PSD e do PS, o diretor e o chefe dos serviços administrativos do Hospital e o presidente dos Serviços Médico-sociais. Ao documento saído dessa reunião, e aprovado por unanimidade, foi dada grande divulgação e o seu impacto foi determinante no desbloquear do processo do novo Hospital pelo Governo Regional do PSD.
É com tristeza que verifico que isso hoje não seria possível. É com profundo desencanto que concluo que, hoje, quem no Faial está ao lado do poder regional, não se tem revelado disponível para assumir a defesa intransigente da sua ilha. Por regra, calam-se. Poucas vezes, a medo, quase pedem desculpa por participar nalguma posição conjunta ligeiramente crítica ou reivindicativa. E a maior parte das vezes fazem coro com as decisões regionais, mesmo que sejam injustas, incompreensíveis e inaceitáveis para o Faial.
Que diferença dos anos 80! E os resultados estão aí à vista para quem quiser ver…"
Jorge Costa Pereira, in Tribuna das Ilhas, 18.09.2015.
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