“Nós somos o produto de uma geração que quer desesperadamente que tenhamos sucesso, mas não entende as nossas necessidades.
Nós não somos adolescentes. Somos corpos sem vida num sistema que gera concorrência, ódio e desencoraja o trabalho em equipa e a aprendizagem genuína. Temos falta de paixão sincera. Estamos doentes.”
Assim se exprimia por carta aberta, em março passado, Carolyn Walworth, a representante dos estudantes da High School de Palo Alto, na Califórnia, numa missiva que, pelo seu conteúdo, rapidamente se espalhou, depois de, desde outubro de 2014, quatro adolescentes daquele distrito escolar se terem suicidado. Tragicamente, não é o primeiro conjunto de suicídios de adolescentes nesta área, pois, em 2009 e 2010, cinco estudantes locais também puseram fim às suas vidas.
Palo Alto, no coração de Silicon Valley, é onde se situam algumas das escolas públicas mais competitivas dos Estados Unidos. As causas dos suicídios referidos são muito complexas e ultrapassam, naturalmente, a simples correlação com a pressão resultante da competição em ambiente escolar, como as palavras daquela aluna podem sugerir.
Mas a questão é que, ano após ano, também aqui entre nós, vou podendo testemunhar e assistir a fenómenos crescentes de nervosismo, insónias, expetativas, frustrações, que atingem cada vez mais alunos e seus familiares, às vezes numa dimensão tão dramática que me pergunto se algumas das palavras daquela estudante americana não poderiam também ser ditas pelos nossos alunos.(...)".
Jorge Costa Pereira, in Tribuna das Ilhas, 07.09.2015
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