" (...) A grande verdade é que, passados mais de 18 anos e gastos muitos milhões, esta governação socialista acentuou as assimetrias no desenvolvimento das nossas ilhas. A desertificação populacional (de ilhas e de concelhos dentro de algumas ilhas) é uma realidade assustadora que urge contrariar.
Os indicadores sociais e económicos da Região são terríveis. A Região continua a ser a campeã nacional do desemprego, com o desemprego jovem a rondar os 50%, quando ainda há uma década o nosso desemprego era residual.
Temos uma boa rede de equipamentos sociais mas continuamos a ser uma das Regiões mais pobres de Portugal com uma elevada taxa de incidência do RSI.
Temos excelentes edifícios escolares mas a Região lidera os índices de abandono e de insucesso escolar e temos mais de 60% dos alunos a necessitar de apoios sociais.
Temos bons edifícios hospitalares e centros de saúde mas os cuidados de saúde às populações têm vindo a piorar.
Temos novas e boas fábricas de lacticínios mas muitas das cooperativas que as gerem estão com enormes problemas financeiros e a lavoura está aflita, desanimada e, em algumas ilhas, quase falida. A perspetiva do fim das quotas leiteiras, a acontecer em breve, e a previsível baixa do preço do leite poderão originar mais uma calamidade social e económica.
Temos em muitas ilhas e em muitos concelhos portos e barcos novos, mas a maioria dos nossos pescadores não tem um rendimento digno, o que tem originado, em muitas comunidades piscatórias, dramáticos problemas sociais.
Temos aviões e barcos de passageiros novos, mas não temos um sistema de transportes fiável e competitivo que sirva para potenciar a nossa economia e para criar um mercado interno. E para agravar este objetivo descobriu-se agora, depois de muito encobrimento, que a SATA está praticamente falida.
E temos, provavelmente como resultado de tudo isto, uma economia frágil, de produção quase residual de riqueza, na maior parte das ilhas sustentada no funcionalismo público e numa dependência do estado que é cultivada e incentivada pelo governo como forma de controlar a sociedade e de garantir a perpetuação no poder.(...)"
Luís Garcia, in Incentivo, 16.02.2015.
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