domingo, 29 de maio de 2016

POR CÁ NEM TUI’s, NEM UI’s!

" (...)Mas o Governo Regional, para além deste pecado grave de omissão, peca também por atos concretos que cultivam e incentivam o divisionismo no Triângulo. Atentemos no que disse o Secretário Regional Vítor Fraga na inauguração do voo “charter” da Tui para o Pico: “a potenciação dos fluxos turísticos provenientes deste mercado para os Açores é feita numa perspetiva de igualdade entre todas as ilhas e para que todos possam beneficiar dos incrementos que esses fluxos turísticos trazem…”.
Onde está a “igualdade entre todas as ilhas” neste domínio, agora apregoada?
Como se fala de igualdade quando o destino Pico/Triângulo, só tem acesso a 1/3 da lotação do voo?
Porque é que numas ilhas, faz-se pressão, reivindica-se, exige-se e as coisas acontecem, enquanto noutras, nomeadamente no Faial, é pregar no deserto, e nada sucede?
Ainda agora, até António Costa, já a lançar a campanha eleitoral de Vasco Cordeiro, veio prometer voos low cost para a Terceira. Quer esses voos, quer os charters que já se realizam para a Terceira, Pico e S. Miguel são subsidiados e/ou recebem incentivos. Então, se há dinheiros públicos nestes negócios, porque só funcionam para algumas ilhas? Onde está a apregoada “igualdade entre todas as ilhas”?
Há, portanto, um quadro, objetivo e inquestionável, de crescente aprofundamento da divergência no tratamento das várias ilhas. E, neste domínio, é indubitável o cada vez maior anulamento do lugar do Faial no contexto regional.
Por isso, questiono-me com angústia, por onde andam, o que dizem e, sobretudo, o que fazem pelo Faial, os nossos líderes e atuais detentores do poder?
Como compreender, justificar ou aceitar o seu silêncio cúmplice? 
Ou como perceber que esses líderes locais do poder, em vez de lutarem por aquilo que é importante, decisivo e estratégico para o nosso futuro (por onde anda, por exemplo, a luta, que é cada vez mais necessária, pela ampliação da pista do aeroporto da Horta?), se andem a entreter a escrever cartas sobre assuntos, neste contexto, menores e quase insignificantes (como o estacionamento no aeroporto, por exemplo)? (...)
Jorge Costa Pereira, in Tribuna das Ilhas
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