" (...) A imagem que o Governo Regional por norma transmite (e que é repercutida acriticamente e com muito poucas e honrosas exceções pela comunicação social açoriana) é a de que os Açores são um caso à parte na crise que atinge Portugal e que a sua situação económico-financeira é até mesmo exemplar.
Mas será mesmo assim? Aquilo que se conhece dos Relatórios do Tribunal de Contas confirma essa versão? Os dados das Estatísticas (desde o desemprego aos indicadores da atividade económica) confirmam essa visão otimista?
E a situação de rutura financeira da Saudaçor? E as dificuldades de pagamento de outras empresas públicas regionais? E a antecipação dos duodécimos de Novembro e Dezembro já concretizada em vários organismos públicos? E os atrasos nos pagamentos aos fornecedores, de que a situação do setor da sáude é apenas a ponta do iceberg? E os 130 milhões de euros de dois empréstimos do Governo Regional que se venciam em Agosto e para os quais a Região não conseguiu meios de liquidação e foi obrigada a socorrer-se do financiamento do Governo da República?
Estes são indicadores normais de quem respira saúde financeira?
Com dados como estes, que são apenas os que se conhecem, como podemos acreditar que estamos tão bem como quer o Governo convencer-nos?
E se juntarmos a estes dados conhecidos, tudo o que por aí circula, à boca pequena, de dificuldades gritantes de tesouraria a vários níveis, de atrasos de pagamento a fornecedores, de pedidos de adiamento de faturação, podemos concluir que estamos perante uma pensada e organizada estratégia governamental de manter os Açorianos, até Outubro próximo, na ilusão de uma realidade inexistente!(...)"
Jorge Costa Pereira, in Tribuna das Ilhas, 03.08.2012.
Ler artigo completo aqui.
Sem comentários:
Enviar um comentário