" (...) a chamada “geração à rasca” não é efectivamente a única que assim está em Portugal. Muito à rasca estão também os pensionistas com reformas miseráveis; muito à rasca estão também os idosos esquecidos das suas famílias e sozinhos no mundo; muito à rasca estão também os milhares de desempregados de meia-idade que ninguém os quer para trabalhar; muito à rasca estão também os desempregados que verdadeiramente querem um trabalho e não o encontram; muito à rasca estão também as famílias que não conseguem garantir o seu sustento digno; muito à rasca estão também aqueles que verdadeiramente necessitados foram privados de apoios sociais. Apetece mesmo dizer que, neste momento, em Portugal, novo ou velho, e exceptuando uma minoria de privilegiados, estão todos à rasca e sem saber bem o que o futuro lhes reserva.
Urge, por isso, perceber os sinais dos tempos e da sociedade, antecipar os problemas e para eles encontrar as soluções que se impõem. Urge ter a humildade de assumir que as últimas gerações que dirigiram os destinos do País falharam. E que nós todos, pais, mães, educadores, também falhámos na sociedade que criámos e na formação de uma geração que foi educada no berço de ouro de um consumismo que não era possível manter.
Infelizmente o Portugal que Francisco Sá Carneiro denunciava há 30 anos, é novamente o mesmo com que estamos confrontados hoje: “Portugal é um país onde os velhos não têm presente e os jovens não têm futuro”.(...)"
Jorge Costa Pereira, in Tribuna das Ilhas, 25.03.2011
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