"Alarga-se assim às escolas o ambiente de controlo da opinião, que já é sentido nesta Região por todo o lado quando se pretende ouvir alguém ou reunir com alguém e se obtém como resposta “só com a autorização superior”. Não admira, por isso, que este ambiente de censura e de visto prévio, ao qual só está a faltar o “lápis azul”, se alargue e se espalhe como uma epidemia, contagiando até manifestações insuspeitas e tão genuinamente populares como os bailinhos de Carnaval.
Aquilo que aconteceu na Ilha Terceira com um bailinho de Carnaval de idosos que foi interrompido, em plena actuação, por zelosos funcionários de uma empresa da Câmara Municipal da Praia da Vitória quando se criticava a distribuição de cabazes de Natal por aquela autarquia, é bem revelador deste ambiente controlador, inquisitorial e anti-plural que no poder político regional bebe o exemplo e a inspiração e se espalha doentiamente pela sociedade."
Jorge Costa Pereira, in Tribuna das Ilhas, 11.03.2011
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