quarta-feira, 27 de julho de 2016

A falta de coesão no desenvolvimento dos Açores

" (...) só não vê quem não quer ver que este modelo de desenvolvimento dos Açores não está a resolver as assimetrias no desenvolvimento entre as ilhas. Pelo contrário, está a acentuar as disparidades territoriais. Após vinte anos de governação socialista e depois de alguns quadros comunitários recheados de milhões para os Açores, o que INE vem objetivamente dizer é que a coesão não tem sido conseguida na Região e que as políticas públicas encetadas não têm tido sucesso neste domínio. Bem pode o governo, o PS e a sua máquina propagandística apregoar o contrário, mas a verdade dos números é esta! E isto para além de ser um dos maiores falhanços desta governação, constitui um enorme perigo para a própria Autonomia, pois a coesão no desenvolvimento das nove ilhas foi e deve ser sempre um dos seus maiores pilares.

3. Estes indicadores negativos para além de resultarem de uma perceção errada da realidade arquipelágica e de um modelo de desenvolvimento centralizador e inibidor das potencialidades de cada ilha, têm também outras motivações, nomeadamente políticas, que importa ter presente e recordar.
O PS quando ganhou as eleições em 1996 tudo fez para acabar com aquele que era um dos principais alicerces da nossa Autonomia: o desenvolvimento harmónico e integral de todas as ilhas. Diziam que este conceito era um chavão velho e desadequado à nossa realidade. Sem convicção o PS com a sua “nova Autonomia” introduziu o conceito de “Ilhas de Coesão”. Um conceito que os próprios nunca souberam bem o que fazer com ele.
Com essa introdução aquela que era a preocupação permanente da governação de desenvolver de forma harmónica todas as ilhas ficou para trás e institucionalizou-se que era normal e até benéfico haver ilhas de primeira e ilhas de segunda. Esta institucionalização apenas serviu para fundamentar a alteração do modelo de desenvolvimento económico e social dos Açores para permitir e alavancar o desenvolvimento de algumas ilhas e deixar outras para trás. A desertificação populacional acelerada de algumas ilhas e concelhos e a debilidade económica comprovada na incapacidade para fixar os seus jovens qualificados é disso exemplo bem eloquente e que urge contrariar.(...)"
Luís Garcia, in Incentivo.
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