"(...) E se os problemas cruciais de Portugal radicam indiscutivelmente nas questões económicas e financeiras, sobre as quais se centram as discussões e os holofotes da comunicação social (e para os quais naturalmente se tornam urgentes soluções viáveis), a verdade, porém, é que Portugal sofre igualmente de um outro problema grave: o da angustiante perversão de valores que se impôs na sociedade portuguesa (e não só!) e que pouco a pouco ganhou estatuto de normalidade.(...)
A desonestidade tornou-se, assim, algo de recomendável na vida social contemporânea. Um político faltou à verdade, prometeu o que sabia que não podia cumprir, omitiu a realidade, mas se ganha as eleições, todos esses censuráveis comportamentos ficam como que legitimados e aceites. Um futebolista encena uma falta ou uma penalidade, engana o árbitro e se disso resulta uma vitória, ele é transformado em herói e poucos lembram o seu comportamento desonesto. Um cidadão que trapaceia as regras das declarações fiscais e consegue pagar menos imposto do que devia, é um exemplo a seguir e muitos querem é aprender o truque.(...)"
A desonestidade tornou-se, assim, algo de recomendável na vida social contemporânea. Um político faltou à verdade, prometeu o que sabia que não podia cumprir, omitiu a realidade, mas se ganha as eleições, todos esses censuráveis comportamentos ficam como que legitimados e aceites. Um futebolista encena uma falta ou uma penalidade, engana o árbitro e se disso resulta uma vitória, ele é transformado em herói e poucos lembram o seu comportamento desonesto. Um cidadão que trapaceia as regras das declarações fiscais e consegue pagar menos imposto do que devia, é um exemplo a seguir e muitos querem é aprender o truque.(...)"
Jorge Costa Pereira, in Tribuna das Ilhas, 17.06.2011
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